Como fazer o cliente confiar na sua marca na Black Friday (e a IA também)
Avaliações, perfil no Google, vídeo e preço claro fazem o cliente confiar na Black Friday e ajudam a IA a indicar a sua marca. Veja o que ajustar.

Faltam pouco mais de quatro semanas para a Black Friday, em 27 de novembro, e muitas empresas ainda estão decidindo o tamanho do desconto. Só que, nessa época, o cliente costuma travar antes de chegar ao preço, porque ainda não sabe se pode confiar em quem está do outro lado da tela.
Na Black Friday, o cliente confia na marca que consegue mostrar que é real: avaliações de outros clientes, um Perfil da Empresa no Google completo e atualizado, vídeos que mostram o produto ou o serviço de verdade, preço e condição de pagamento claros e o rosto de quem está por trás do negócio. Essa prova precisa aparecer também na página que recebe o anúncio, que deve abrir rápido no celular, mostrar o preço sem esconder nada e levar a pessoa ao WhatsApp em poucos toques. Além disso, o mesmo material ajuda a marca a aparecer nas respostas e recomendações das ferramentas de inteligência artificial, o trabalho conhecido como GEO, porque essas ferramentas se apoiam no que a internet diz sobre uma empresa. Até o fim de outubro, ainda dá tempo de pedir avaliações, completar o perfil, gravar os vídeos e revisar a página.
Por que a confiança pesa tanto na Black Friday?
Porque o consumidor chega à data esperando ser enganado. No artigo de abertura desta série, sobre o que ainda dá tempo de fazer até a Black Friday, mostramos que 45% dos produtos monitorados em um estudo chegaram à Black Friday de 2025 sem economia real (Exame) e que 64% dos consumidores já deixaram de aproveitar uma promoção por medo de golpe (Serasa).
Pelo lado de quem vende, o quadro fica mais claro. Metade dos consumidores diz não conseguir identificar quais promoções valem a pena (Think with Google), e 51% apontam um site que parece pouco confiável como motivo para desistir da compra no fim da jornada de compra (LWSA com Opinion Box). Ou seja, a pessoa já queria comprar, chegou até a sua página e foi embora por insegurança.
Para uma empresa pequena, esse cenário abre uma oportunidade, porque qualquer negócio consegue mostrar que existe, que entrega o que promete e que tem gente de verdade para atender.
O que faz o cliente confiar na sua marca?
O cliente confia naquilo que ele consegue conferir por conta própria. Em uma pesquisa da LWSA, 70% dos consumidores disseram ser influenciados por comentários de outros clientes, e 75% disseram precisar ver um vídeo do produto para se sentirem seguros (E-Commerce Brasil). Separamos as cinco provas com maior potencial de agregar credibilidade para a sua marca e como você pode utilizar cada uma delas.
Avaliações de quem já comprou
Pedir avaliação é o básico, e o que faz diferença é o momento e o jeito de pedir: logo depois que o cliente recebeu o produto ou terminou o serviço, com o link direto para que ele não precise procurar onde avaliar. A sua base de clientes é o lugar natural para começar, e o artigo sobre como vender para quem já comprou de você mostra como organizar essa lista.
Também é importante responder às avaliações que chegam, incluindo as negativas. Uma resposta educada, que explica o que aconteceu e como foi resolvido, costuma passar mais segurança do que um perfil cheio de notas perfeitas.
Perfil da Empresa no Google completo
Quando alguém pesquisa o nome da sua empresa, o Perfil da Empresa no Google costuma ser a primeira coisa que aparece. Por isso, ele precisa responder às perguntas que o cliente faria: o que você vende, em qual região atende, qual é o horário (inclusive o horário especial da semana da data), como entrar em contato e como é o lugar ou o produto, com fotos reais.
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Vídeo mostrando o produto ou o serviço de verdade
O vídeo responde a uma dúvida que a foto não resolve: se aquilo existe e é do jeito que parece. Ele pode ser simples, gravado no celular com boa luz: o produto na mão, a embalagem sendo montada ou o serviço acontecendo.
Preço e condição claros
Na Black Friday, o preço também funciona como prova. Se o “de” do seu “de/por” foi inflado na véspera, o cliente que acompanha preços percebe e passa a desconfiar do resto da oferta. Por isso, mostre logo de cara o valor real, o parcelamento (deixando claro se tem juros), o frete e o prazo de entrega, para que nenhuma surpresa apareça no fim da compra.
O rosto de quem está por trás
Quem aplica golpe costuma se esconder. Por isso, mostrar quem atende, quem produz ou quem presta o serviço ajuda a pessoa a sentir que existe alguém responsável pela venda. Isso vale para a página, os vídeos e, principalmente, o atendimento, porque uma resposta humana no WhatsApp, com nome e tom de conversa, é uma das provas mais fortes que uma empresa pequena pode oferecer.

A sua página suporta um alto volume de acessos no período da Black Friday?
Na data, muita gente chega à sua página ao mesmo tempo, e quase sempre pelo celular. Por isso, ela precisa continuar rápida e estável no pico de acessos e, além disso, oferecer uma boa experiência a quem chega do anúncio. A melhor forma de conferir essa experiência é refazer a jornada de compra do cliente, do clique até a conversa:
- O clique, quase sempre no celular: 73% dos consumidores pretendem comprar pelo celular na Black Friday (LWSA). A página precisa abrir rápido em uma conexão comum, porque quem espera costuma voltar para o feed.
- A primeira tela: A pessoa precisa reconhecer ali a mesma oferta que viu no anúncio. Se o anúncio fala de um kit e a página abre na home, ela se perde, então o link do anúncio deve levar direto para a oferta.
- O preço e a condição: Valor, parcelamento e frete precisam estar visíveis sem rolar demais, junto das provas: avaliações, vídeo e fotos reais.
- A dúvida: O botão do WhatsApp precisa estar exatamente onde ela aparece, e alguém precisa responder rápido do outro lado.
Para entender em qual desses pontos as pessoas estão desistindo no seu caso, a medição precisa estar funcionando, e o artigo sobre onde o seu cliente desiste mostra o raciocínio que usamos para ler esses dados.
Como a mesma prova ajuda a sua marca a aparecer na IA?
As ferramentas de inteligência artificial montam as respostas a partir do que encontram sobre uma empresa na internet, e por isso tendem a favorecer marcas que aparecem em vários lugares, com informações claras e avaliações consistentes.
GEO (sigla em inglês para otimização para motores generativos) é o trabalho de organizar a presença de uma marca na internet para que ferramentas como ChatGPT, Gemini e os resumos de IA do Google consigam entender o que ela faz, confiar nessas informações e citá-la nas respostas e recomendações.
Segundo a LWSA, 13% dos consumidores começam a busca de ofertas em plataformas de IA, e 45% dizem que os resumos de IA nos buscadores influenciam a decisão (E-Commerce Brasil). Em conversas com lojistas e donos de negócio, essa pergunta também tem aparecido bastante: como fazer a marca aparecer nas recomendações de inteligência artificial.
Os estudos disponíveis apontam para os mesmos sinais que constroem a confiança do cliente:
- Menções da marca em vários lugares: Em uma análise da Ahrefs com 75 mil marcas, as menções na internet foram o fator mais associado a aparecer nos resumos de IA do Google, à frente dos links que apontam para o site (Ahrefs).
- Avaliações e perfil completo: Nos Estados Unidos, um levantamento com 10 mil negócios locais mostrou que os recomendados por IA tinham, em média, 133 avaliações, contra 10,7 dos que ficaram de fora (Insites). Como o uso de IA para buscar empresas costuma chegar primeiro ao mercado americano, esse dado antecipa o que tende a acontecer por aqui.
- Conteúdo claro: Uma página que diz com todas as letras o que a empresa faz, para quem, em qual região e com quais condições é mais fácil de ser entendida por uma pessoa e por uma ferramenta de IA.
Os dados da Ahrefs (análise global) e da Insites (negócios dos Estados Unidos) vêm de fora do Brasil. Leia como ordem de grandeza: a direção costuma se repetir aqui, mas os números do mercado brasileiro podem ser diferentes.

Os estudos mostram associação, sem garantir que uma marca será indicada. Por isso, tratamos o GEO como um trabalho contínuo, feito junto com o posicionamento orgânico e o cuidado com o Perfil da Empresa no Google: olhamos o que as ferramentas de IA respondem hoje sobre o segmento do cliente, onde a marca é citada e onde ela ainda não aparece, e ajustamos conteúdo, perfil e presença a partir disso. Isso significa que tudo aquilo que for feito agora para ganhar confiança continua trabalhando a favor da marca depois da data.
O erro que mais vemos
Muitas empresas gastam a energia da Black Friday na porcentagem do desconto e no empilhamento de benefícios, mas não olham como o cliente percebe aquilo. Para o cliente, quase sempre pesa mais ter um ambiente seguro para comprar, ou um profissional qualificado para prestar o serviço, do que receber um monte de vantagens.
O consumidor de internet também está mais atento às ofertas. Por isso, o excesso de desconto e de condição pode gerar o efeito oposto ao esperado: a desconfiança de que aquilo está bom demais para ser verdade.
A saída é inverter a ordem. Antes de decidir a oferta, a empresa precisa entender como o cliente percebe a marca hoje na internet e trabalhar essa percepção. Só depois vale pensar em condições e pacotes estratégicos que conversem com essa percepção. O trabalho é estimular a decisão do cliente, sem empurrar a venda, e as ofertas montadas assim soam melhor, funcionam melhor e tendem a ser mais lucrativas.
O que fazer na segunda-feira
Estes são três passos que cabem em uma semana:
- 1
Pesquise o nome da sua empresa no Google e faça a mesma pergunta a uma ferramenta de IA, como um cliente faria. Anote o que está desatualizado ou faltando.
- 2
Separe os últimos clientes satisfeitos e mande a cada um o link direto para avaliar a sua empresa no Google.
- 3
Clique no seu próprio anúncio pelo celular e refaça a jornada de compra até o WhatsApp, conferindo se o preço, a condição e as provas aparecem sem esforço.
Perguntas frequentes
Uma avaliação negativa atrapalha a venda na Black Friday?
Uma avaliação negativa isolada, respondida com educação e com a solução explicada, costuma pesar menos do que parece. O que preocupa o cliente é a crítica sem resposta ou um padrão de reclamações sobre o mesmo problema.
Preciso ter site para aparecer nas recomendações de IA?
Ajuda bastante, porque o site é o lugar onde você explica com detalhes o que faz. Ainda assim, o Perfil da Empresa no Google, as avaliações e as menções da marca em outros sites e redes também entram na conta, então dá para começar por eles.
Quanto tempo leva para a IA começar a indicar a minha marca?
Não existe um prazo fixo, porque depende do seu segmento, da concorrência e do quanto a sua marca já aparece na internet. O mais indicado é tratar a prova como um trabalho contínuo, que segue depois da data.